Saudades, amor
Você, sente saudades de quê?
Quem está aqui a mais tempo, lembra dos escritos ferozmente pessoais que escrevi em outros tempos. Tenho saudades. Hoje foi um dia péssimo, digno de ser desentortado com a escrita. Digno de ser reescrito. Por mim, não por Deus. Foi mal, Deus. Dessa vez, não. E hoje é assim que vamos. Eu, vocês e uma escrita bem pessoal.
No melhor estilo especulação de futuros vou me convidar a experimentar esse domingo de merda como o domingo em que me apaixono por um novo alguém, porque também sinto saudades de me apaixonar. Dessas paixões que viram amor e mudam completamente a nossa vida, sabe? A última vez que me apaixonei de verdade assim já fazem sei lá. O meu último casamento. Ok, ok, eu me apaixonei pelo holandês, mas foi uma apaixonite dessas que passam rápido e isso já faz 1 ano.
Voltando as saudades, sinto saudades de me apaixonar pelas relações amorosas de maneira geral, com os homens, especialmente. Pela boa companhia deles. Tive a sorte de me apaixonar bem nessa vida. Sou uma apaixonada inveterada. Minha filha aos 7 anos uma vez me disse: mãe, eu admiro que você nunca desiste do amor. Depois de me apaixonar por um outro alguém depois de separar do pai dela.
Que ela não me ouça mas nos últimos anos eu desisti do amor. Desisti de amar. Desisti de me vulnerabilizar e depois ter que recolher meus cacos. Andei tão amargurada quanto desesperançosa. São Paulo tem dessas coisas, vai comendo a gente por dentro.
Mas voltando a especulação de futuros, hoje foi o domingo em que me apaixonei (nessa outra linha temporal!). Estava eu caminhando pela praça e dei de cara com esse cara… não, pera. Estava eu tomando sol no meu café favorito em São Chico e de repente chegou um cara…não tá dando nem pra fazer de conta. Socorro, Deus.
Minha cabeça não me deixa nem especular como seria um encontro com alguém. Será que estou quebrada? Bom, não consigo imaginar a cena mas consigo dizer o que gostaria de encontrar nesse abençoado. Quero que ele seja gentil, risonho quase engraçadinho, honesto, seguro de si, autêntico, carinhoso, com olhinhos pedintes, sabe? Alguém que eu encontre onde quer que seja, e que seja ótimo do jeito que for. Mas que seja amor.
Eu não contei pra vocês (porque não conto nada pessoal aqui há milênios) mas ontem, no sábado, fui lavar roupa na lavanderia e um cara pediu meu telefone. Heleno. Achei ele corajoso de pedir meu número na lavanderia. Mas não me apaixonei. Não sorri demais. Não quis mandar mensagem depois. Não senti nada. Dei o número por não saber o que fazer além disso. Ele era bonito. Mas meu coração de gelo anda meio duro.
Hoje mesmo chorei dizendo que estou cansada de ficar sozinha, mas sigo não sentindo nada quando um homem se aproxima. Nem quando pede meu telefone. Quantas de mim cabem aqui dentro? As duas: a loba solitária e a apaixonada inveterada estão duelando bravamente. Quem ganha essa batalha?
Quem ganha eu não sei, hoje eu é que tô perdendo sem saber o que fazer com meu coração de gelo que não derrete mas que anseia por um amor. Sinto saudades de amar. Também. Sinto saudades de me sentir amada mais ainda.

